quarta-feira, 9 de maio de 2012

Psicanálise e reencarnação


A psicanálise é um método de investigação psicológica do procedimento humano em individual e uma orientação terapêutica-psicoterápica que se propõe a corrigir os desajustes emocionais causadores das neuroses e psicoses.
Sigmund Freud, médico austríaco, natural de Viena, foi quem desenvolveu tanto o método de investigação quanto os pilares que sustentam a orientação terapêutica da psicanálise. Psiquiatra e neurologista, professor NE neurologia na Universidade de Viena, iniciou seus trabalhos utilizando hipnotismo, mas abandonou esta técnica para tentar a sugestão.
Foi a partir deste ponto que, celeremente, aprofundou-se em suas teorias, que culminaram nos métodos conhecidos como psicanálise. Seus conceitos, principalmente no tocante à interpretação dos sonhos ou a atribuição de quase todos os casos de neurose às repressões de desejos sexuais provocaram grande impacto e controvérsias no meio científico da época. Freud, nascido 1856, desde a última década do século XIX utilizou o método clínico para o estudo da personalidade humana.
Embora Sigmund Freud fosse quem tivesse desenvolvido o que hoje consideramos psicanálise, a ideia original não foi sua. Essa surgiu na mente de um médico, também vienense, Josef Breuer.
Foi o Dr. Breuer quem comunicou ao ainda jovem Freud as suas ideias sobre o fenômeno histérico da conversão, em que um episódio vivido conflitivamente pela paciente havia desaparecido de sua memória consciente e se transformado em memória ou registro corporal.
A ideia de trazer à memória consciente o episódio, e o efeito terapêutico deste fato, acabaram na descoberta de uma estrutura psíquica que passou a ser denominada de inconsciente. Forças mentais, que representam preconceitos morais, impedem o aparecimento consciente de memórias e, assim, surgem conflitos e ansiedades.
Segundo Freud, o procedimento humano tem imensa relação com os instintos sexuais e a sua não aceitação pela moral de nossa sociedade (repressão). Esse fato seria o conflito fundamental, motivador das neuroses.
Embora não possamos considerar o pai da psicanálise como adepto da teoria do renascimento, o tema também mereceu algumas considerações por parte do eminente médico.
Na obra Pensamentos para Tempos de Guerra e Morte, podemos extrair o seguinte trecho:
“Essas existências subsequentes não foram, de princípio, mais que apêndices à existência que a morte levara a um fim; eram existências ensombradas, vazias de conteúdo e pouco valendo. Só mais tarde as religiões conseguiram representar esse após-vida como o mais desejável, como o realmente válido. Depois disso, o estender da vida para trás, para o passado, formar a noção de existências anteriores, da transmigração das almas e da reencarnação foi apenas coisa consequente, tudo com o propósito de despojar a morte de seu significado como término da vida”.


Muitos foram os colaboradores e seguidores de Freud, mas Carl Gustav Jung (1875-1961) destacou-se sobremaneira.
Jung, psicólogo suíço, após se identificar com as bases do pensamento freudiano, passou a estudar o inconsciente e, com o passar do tempo, a divergir de algumas opiniões de Freud, levando-o a separar-se do médico vienense.
Jung valoriza muito o exercício constante das virtudes humanas e chegava a afirmar que a única forma de conservarmos a civilização, ameaçada pela desumanidade e pelas forças do barbarismo, seria pelo desenvolvimento e uso eficaz das virtudes humanas.
Se Freud apenas tangenciou a questão da reencarnação e até relacionou esta teoria com a necessidade humana de encontrar uma saída lógica ou mecanismo psicológico de não admitir o término da vida, a posição de Jung parece-nos bem mais explicitada em seus trabalhos.
Jung proferiu uma conferência intitulada “A respeito do renascimento”, na qual encontramos as seguintes citações:
“Metempsicose: o primeiro dos cinco aspectos de renascimento com os quais desejo atrair a atenção é a metempsicose, ou transmigração das almas. De acordo com este ponto de vista, nossa vida é prolongada no tempo, passando através de diferentes existências corpóreas, ou, de um outro ponto de vista, é uma vida em sequência, interrompida por diferentes reencarnações. Não há certeza de ser ou não garantida a continuidade da personalidade. Pode haver, apenas, uma continuidade do karma.
Reencarnação: esse conceito de renascimento implica, necessariamente, a continuidade da personalidade. Aqui, a humana personalidade é vista como contínua e acessível à memória, de forma que, quando alguém é encarnado ou nasce, pode, pelo menos potencialmente, recordar aquele que viveu através de existências anteriores, sendo essas vidas as dele próprio, isto é, vidas que tinham na mesma forma–EU da vida presente. Via de regra, a reencarnação quer dizer renascimento num corpo humano.
O renascimento não é um processo que possamos, seja como for, observar. Não podemos medir nem pensar, nem fotografar tal coisa. Isso fica inteiramente para além do senso de percepção. Temos de nos ver, aqui, como uma realidade puramente psíquica, que nos é transmitida indiretamente através de declarações pessoais. Um fala sobre renascimento, um professa o renascimento, um está repleto de renascimento. Isso aceitamos como suficientemente real. Sou de opinião que a psique é o fato mais tremendo da vida humana. O simples fato de pessoas falarem sobre renascimento e de haver um tal conceito, significa que um cabedal de experiências psíquicas, designadas com aquele termo, deve realmente existir.
(...) O renascimento é uma afirmação que deve ser contada entre as afirmações primordiais da humanidade. Essas afirmações primordiais são baseadas naquilo que nós chamamos de arquétipos. Deve haver acontecimentos psíquicos subjacentes nessas afirmações, assunto que à psicologia cabe discutir, sem entrar em todas as suposições metafísicas e filosóficas em relação à sua importância.”
Carl Gustav Jung tornou-se famoso pela criação do conceito do “inconsciente coletivo” , segundo o qual o homem é um ser coletivo, isto é, um representante de sua espécie num determinado momento de desenvolvimento, desde os tempos ancestrais. Chamou atenção para os arquétipos, que são imagens primitivas (arquiprimitivas) gravadas na mente desde a fecundação. Pertencem ao patrimônio comum da humanidade; encontram-se em todas as mitologias e são expressão do “inconsciente coletivo”.
Os enfoques nitidamente espiritualistas, bem como as reflexões acerca das vidas sucessivas que Jung deixou para seus pósteros, lamentavelmente são pouco conhecidas e difundidas. Até ao dialogarmos com psicanalistas, alguns deles demonstram desconhecerem ou até negam, peremptoriamente, ser Carl Gustav Jung também um reencarnacionista...

Ricardo Di Bernardi é médico homeopata e
Presidente do Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis – ICEF
PAZ E LUZ!

4 comentários:

Ana Lucia Nicolau disse...

bem bacana esse texto para refletirmos sobre o assunto....

Marcia Pimentel disse...

Olá,

Um texto para pararmos e pensarmos. Parabens pelo texto e plo blog.

Bjs

Estou seguindo seu blog. Lhe convido para conhecer o meu.

bjs

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@cinha34

André disse...

Olá, parabéns pelo blog, convido você e a todos que estão lendo a participar e enviar seus links para nosso agregador de links, espero vocês lá.
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Beth Muniz disse...

Não tenho opinião formada sobre o assunto.
Portanto, ler é o melhor caminho.
Um abraço.